Taxa EMEX: O que é, como afeta os custos e quais as alternativas para quem paga o frete

A falta de segurança no Rio de Janeiro compromete cada vez mais a eficiência das operações logísticas, em especial o transporte rodoviário. Transportadores amargam os prejuízos causados pelo alto índice de roubo de cargas, e arcam com o aumento dos custos para manter suas atividades no estado.

Esta situação motivou as empresas de transporte a implementar a Taxa de Emergência Excepcional – EMEX – com o objetivo de repassar parte dos gastos adicionais com medidas de segurança.

Mas, você sabe quais são os valores e os impactos que esta taxa pode causar na conta frete? Já pensou em alternativas operacionais que possam minimizar tais efeitos? Quer saber mais sobre a incidência da Taxa EMEX? Então acompanhe neste artigo.

Cenário recente do transporte rodoviário no Rio de Janeiro

De acordo com a FIRJAN, Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, estima-se que o prejuízo com roubo de cargas no Rio tenha superado os R$ 600 milhões em 2017. Segundo o Instituto de Segurança Pública, foram 10.599 ocorrências no ano passado (praticamente 30 roubos por dia), representando um aumento de 7,3% em relação à 2016.

Diante de estatísticas como essas, as transportadoras estão procurando evitar as rotas que passam pelo RJ e muitas delas já decidiram fechar suas filiais no estado. Com isso, o setor recuou cerca de 13% em 2017, conforme dados do Sindicato das Empresas de Carga e Logística do Rio (Sindicarga).

E as dificuldades não param por aí. Não bastasse os gastos com sistemas de rastreamento e contratação de escolta, o valor do seguro de transporte disparou, sendo que, em alguns casos, as seguradoras simplesmente se recusam a ofertar o serviço. O mesmo ocorre com empresas de segurança, que optam por não trabalhar com determinados segmentos – eletrônicos, por exemplo – devido ao risco de roubo ser ainda maior.

EMEX – Taxa de Emergência Excepcional

Os custos para manter uma empresa de transporte de cargas no RJ aumentaram na mesma medida em que a criminalidade se instalou no estado, e a alta dos valores de frete é reflexo de fatores como:

  • Agravamento das apólices de seguro;
  • Aumento substancial da franquia do seguro;
  • Ampliação da restrição de horários de circulação;
  • Restrição de rotas na área metropolitana do Rio de Janeiro;
  • Contratação de escolta em regiões urbanas;
  • Uso de tecnologias específicas e mecanismos para reforçar a segurança.

Nesse sentido, foi criada no início de 2017, a Taxa de Emergência Excepcional, que visa cobrir os recursos aplicados no combate à insegurança no transporte e movimentação de cargas em regiões afetadas por estado de violência constante, enquanto a ordem e a segurança não forem reestabelecidas.

Sendo assim, a Taxa EMEX é válida em toda região metropolitana do Rio de Janeiro. A cobrança pode variar de acordo com a negociação, mas, em geral, corresponde a R$ 10,00 por fração de 100 kg, com adicional de 0,30% a 1,00% sobre o valor da mercadoria.

Possibilidades em relação à cobrança da Taxa EMEX

A cobrança da EMEX para as cargas no RJ é uma realidade e as chances de isenção desta taxa para o embarcador são praticamente nulas, principalmente por dois motivos:

Primeiro porque a insegurança no Rio de Janeiro revela uma sucessão de problemas que tende a se agravar, visto que o aumento dos custos operacionais das empresas reduz a capacidade de investimento e geração de emprego e renda, o que pode elevar ainda mais o índice de violência na região.

E em segundo lugar, porque as empresas de transporte precisam investir em segurança pensando na integridade da carga, do veículo e de seus funcionários. Ou seja, mais uma vez, o consumidor final pagará pela ineficiência do poder público, sendo aplicado mais um fator ao já oneroso “Custo Brasil”.

No entanto, como embarcador, além de negociar o patamar adequado do valor da Taxa para o seu perfil de carga, é importante verificar junto ao transportador se existem possibilidades no sentido de compartilhar responsabilidades e reduzir custos de forma comum, por exemplo:

– Combinar pontos de retirada, seja na sede da transportadora ou em outro local seguro;

– Usar veículos descaracterizados ou particulares, para evitar ser alvo de assaltos;

– Consolidar a carga para reduzir o número de viagens/movimentação;

– Alterar a rota, horário de entrega e outras características que possam ser modificadas em benefício da segurança e eficiência operacional.

Vale ressaltar que as ações conjuntas em relação às condições de segurança no transporte de cargas é um dos aspectos mais importantes na relação entre embarcador e transportador, onde a soma de esforços, além de gerar redução de custos, tende a consolidar a parceria.

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Um abraço e até a próxima!

Claudionei de Andrade

 

Fonte: Valor Econômico.

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade é graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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