Proatividade e Eficiência na Gestão de Operações Logísticas

Um desafio comum na logística das empresas está relacionado à dinâmica com que seus processos operam sob influência de fatores críticos, tais como: oscilação de demanda, turnover elevado, carência de profissionais qualificados, tecnologia insuficiente, ausência de recursos e investimentos, além de muitos outros.

Aliado a isso, existe uma questão cultural que atribui à logística um padrão de trabalho ditado pela urgência, motivando ações automáticas e reativas. Logo, deixa-se de se fazer o que é importante para cuidar do que é urgente.

Mas, afinal, como ser mais eficiente em meio a tantos “imprevistos”?

Pelo óbvio, existem condições incontroláveis com as quais convivemos diariamente, sejam elas motivadas pela política, economia, greves, desastres naturais, entre outras incertezas. Contudo, em grande parte dos casos, o gestor de logística tem como prevenir-se dos contratempos do seu cotidiano, desde que o faça de modo planejado.

Nesse sentido, os “imprevistos” requerem uma atuação estruturada, conduzida por atividades que incluem:

1. Mapeamento de processos

O processo de mapeamento permite a ampla compreensão do cenário atual, com o objetivo de identificar oportunidades de melhoria e atingir maior aproveitamento dos recursos, eliminando assim todo e qualquer desperdício.

A observação em campo, somada à recursos como análise de fluxos, materiais e documentos cumprem papel fundamental na obtenção de informações. Além disso, ninguém melhor do que o profissional que vivencia diariamente a operação logística para identificar gargalos e pontos críticos da operação.

O mapeamento executado de forma conjunta com os responsáveis pelas atividades-chave, ao estabelecer relação de causa e efeito em cada processo, fornece evidências de potenciais riscos de cada etapa da cadeia, permitindo atuar de forma proativa e antecipada em casos de desvios.

2. Definição de Estratégias e Ações Antecipadas

Depois de identificar as etapas mais vulneráveis e listar possíveis causas de ineficiência é o momento de descrever as medidas a serem tomadas para que a probabilidade de ocorrência de tais efeitos seja reduzida ou eliminada. Em última instância, caso ocorram, para que os processos sejam restabelecidos dentro da normalidade ou, pelo menos, em um padrão aceitável.

Portanto, é necessário agir de modo antecipado. Mas, atenção, antecipar não é o mesmo que adivinhar.

“Antecipar é diferente de adivinhar. Antecipar está no campo do planejamento e da ciência, enquanto adivinhar está no reino da magia. Não dá para adivinhar o mercado, mas dá para antecipar. Não dá para adivinhar o processo, dá para antecipar. Para isso, a pessoa que não perde a oportunidade se caracteriza pela capacidade proativa. Diferentemente daquele que só quer adivinhar e é, portanto, reativo”.                                                                                                       (Mário Sérgio Cortella) 

3. Investimento em Tecnologia

A tecnologia representa um dos principais aliados em relação ao controle e prevenção de ocorrências que, direta ou indiretamente, podem impactar negativamente o fluxo normal das operações.

Os recursos tecnológicos aplicados à logística – softwares ERP, WMS, TMS e demais sistemas de gestão – permitem ações preventivas na medida em que estas soluções sejam utilizadas de forma estratégica, com o objetivo de:

a) Analisar a previsão de consumo ao considerar múltiplas variáveis (histórico de vendas, projeções, metas, entre outros parâmetros);

b) Planejar o volume adequado de estoque, bem como dimensioná-lo em níveis que evitem excessos e rupturas;

c) Gerenciar o fluxo de informações entre os membros da cadeia de suprimentos. Com isso, promover o tratamento ágil e adequado, além de reduzir o tempo de resposta em cada situação;

d) Automatizar processos operacionais, e tornar mínimas as chances de erro humano e falhas de comunicação.

Muitas outras demandas podem ser previstas e monitoradas com o apoio da tecnologia da informação. Cabe ao gestor avaliar a melhor forma de viabilizar as ações em cada processo.

4. Gestão da Melhoria Contínua

O conceito de melhoria contínua surge da necessidade de se aprimorar permanentemente os fluxos da empresa, obtendo-se resultados escaláveis, eficientes e de valor ao cliente. Nesse contexto, há vários métodos que podem ser aplicados, por exemplo: Kaizen, PDCA, 6Sigma, entre outras ferramentas.

A implementação de um programa de melhoria contínua contribui diretamente para a prevenção de eventos críticos na logística. A soma de esforços se concentra na identificação e solução dos problemas em sua origem, a fim de evitar suas consequências e inibir sua reincidência.

Além disso, os ganhos obtidos com a melhoria contínua são ampliados ao se atingir os propósitos centrais da metodologia, que, em geral, estão voltados a:

– Redução de custos, perdas e desperdícios;

– Organização e controle de processos;

– Aproveitamento coerente dos materiais;

– Aumento da produtividade e qualidade; entre outras frentes.

Desse modo, fica evidente que, além de eliminar os prejuízos e transtornos causados por situações imprevistas na operação logística, uma atuação com foco estratégico e ações planejadas, pode promover excelentes resultados, aprimorando a efetividade de todos os processos organizacionais.

E você, de que forma lida com os imprevistos do dia a dia? Contribua com suas opiniões e comentários.

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Abraço,

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade é graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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