TDE – TAXA DE DIFICULDADE DE ENTREGA

Em algum momento, para encontrar o valor final de um frete, você já precisou “esmiuçar” uma tabela de fretes para tentar desvendar quais tarifas e em que momento elas são aplicadas? E, depois de certo tempo analisando, ainda ficou com (muitas) dúvidas?

Se a resposta for sim, fique tranquilo! No transporte rodoviário de cargas isso é mais comum do que se imagina. E como se não bastasse a quantidade imensa de componentes, taxas e impostos, não é raro encontrar variações de cálculo inimagináveis.

O fato é que, apesar de existir um conjunto de componentes utilizados pela grande maioria das empresas de transporte, não há um padrão de tabela de frete no mercado. Ao avaliar seus custos de operação, cada transportador define um modelo de precificação para a prestação do serviço, e cabe à empresa contratante avaliar se as condições apresentadas lhe atendem ou não.

Por isso, aqui vai a primeira dica: o momento de questionar o transportador quanto a resolução do frete, ou seja, como chegar ao seu valor final, é durante a negociação. Isso é fundamental para a análise de preços e, consequentemente, serve como subsídio para tomadas de decisão, afinal, ANTES de pagar, você precisa entender O QUE, QUANTO e COMO irá pagar.

E dentre tantas tarifas e particularidades, uma taxa parece ser unânime e está presente em (quase) todas as negociações: a Taxa de Dificuldade de Entrega, conhecida também como TDE.

A TDE é o tema do artigo de hoje e o objetivo é alertar sobre o quanto, financeiramente, esta taxa pode representar sobre o total de uma entrega. Mais do que isso, vou mostrar quais ações práticas o embarcador pode tomar para reduzir a incidência de TDE e, com isso, minimizar seus impactos nos resultados de frete.

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE A TDE

A TDE – Taxa de Dificuldade de Entrega ou Taxa de Difícil Entrega – destina-se a ressarcir custos adicionais sempre que a entrega for dificultada por um ou mais dos seguintes fatores:

  • Recebimento por ordem de chegada, independentemente da quantidade;
  • Recebimento precário, que gere longas filas e tempo excessivo na descarga;
  • Recebimento fora do horário comercial;
  • Disposições contratuais que agravem o custo operacional.

Os aspectos acima descrevem características particulares de pontos de entrega específicos, isto é, a cobrança está atrelada à uma relação de clientes destinatários – CNPJs e CPFs – que possuem restrições em seu processo de recebimento.

O valor da taxa é variável. Normalmente é composto por um percentual acompanhado de um mínimo fixo. Em geral, as transportadoras possuem uma lista de empresas cuja a entrega incide TDE, e informam os valores no campo de generalidades da tabela de frete (ou mesmo na própria relação de CNPJs, quando variável por cliente).

A TDE E SEUS EFEITOS (NA PRÁTICA) PARA O EMBARCADOR

Agora que o conceito básico da TDE foi relembrado, podemos entrar na parte prática do negócio:  compreender os impactos da Taxa de Dificuldade de Entrega nos custos de transporte do embarcador, como essa simples taxa afeta a conta frete e qual sua representatividade sobre o total de uma entrega.

Você já ouviu a expressão “Estamos pagando para vender”? É o que pode acontecer quando não se avalia com exatidão os custos para atender o cliente. Nesse contexto, um dos aspectos mais relevantes desta conta está relacionado a tudo o que a empresa gasta com distribuição e entrega – em especial, com as despesas de FRETE.

Os custos com as operações de transporte aumentam na mesma medida que as particularidades do atendimento, ou seja, quanto maiores as exigências do cliente, mais caro será para entregar. E, como visto inicialmente, quando a empresa terceiriza esse processo, a transportadora repassa todos os dispêndios adicionais envolvidos por meio da cobrança de TDE.

Na prática, o valor da Taxa de Dificuldade de Entrega pode representar para o embarcador mais de 60% do total do frete. Exatamente! Em alguns casos, a TDE corresponde a 2/3 do que é pago para o transportador entregar no seu cliente. Acompanhe o exemplo a seguir:

O quadro abaixo apresenta uma amostragem de 10 embarques expedidos para o mesmo cliente em determinado período. Cada linha demonstra, por pedido, os dados correspondentes ao:

  • Valor do frete (sem TDE);
  • Valor fixo da Taxa de Dificuldade de Entrega;
  • Total do frete (incluindo a TDE); e
  • Percentual de participação da TDE sobre o valor total do frete.

Como se pode observar, a TDE corresponde a mais de 64% do total do frete apurado. Em termos de resultado (Indicador Custo de Transporte sobre a Venda), supondo que o valor da nota fiscal no Embarque 01 fosse R$ 2.000,00, teríamos o seguinte:

a) Resultado percentual do frete SEM TDE: 3,25% (R$ 64,92 / R$ 2.000,00 X 100)

b) Resultado percentual do frete COM TDE: 8,95% (R$ 178,92 / R$ 2.000,00 X 100)

Neste momento, vale a reflexão: análises como essas são realizadas e levadas em consideração na composição do custo total de atendimento? É viável para a empresa manter estas condições?

Particularmente, entendo que esta é uma análise mais ampla, que envolve inúmeras variáveis e não se restringe somente a questões logísticas, mas também comerciais. Contudo, cabe à gestão de transporte encontrar alternativas viáveis frente a situação.

POSSÍVEIS AÇÕES PARA “COMBATER” A TDE

Diante da representatividade da TDE nos resultados de frete e atendimento ao cliente, torna-se necessário que a logística busque soluções que permitam viabilizar a manutenção das entregas em patamares adequados de custos e nível de serviço. Para contribuir neste sentido, listo abaixo algumas frentes que podem ser trabalhadas para que a TDE tenha o menor impacto possível na operação do embarcador:

  1. Agrupamento de pedidos: em acordo comercial com o cliente, verificar a possibilidade de reprogramar a data de expedição dos pedidos, agrupando-os e fazendo um número menor de entregas;
  2. Repassar o custo adicional ao cliente: estabelecer uma política de venda que permita repassar ao destinatário o valor adicional (ou parte dele);
  3. Avaliar outras opções de transporte: cotar com outras transportadoras que já atendem o cliente e cobram um valor inferior de TDE. Eventualmente, o transportador consegue otimizar o custo ao conciliar, na mesma data, a entrega de vários fornecedores;
  4. Pesquisar outro embarcador que também forneça para o cliente e “compartilhar” a taxa adicional, realizando uma única entrega;
  5. Verificar a viabilidade de entrega com veículo próprio ou migrar do fracionado para o transporte dedicado (com carga consolidada);
  6. Investir em tecnologia, como em Sistemas de Gerenciamento de Transporte – TMS, que permitem realizar análises mais aprofundadas em relação aos custos de transporte. Com isso, é possível evidenciar gastos excessivos com entregas e desenvolver em conjunto com as áreas de interesse novas estratégias de atendimento;
  7. Negociar, negociar, negociar… reúna as informações necessárias e busque avaliar com o transportador, com a área comercial e com o cliente, caminhos que possibilitem garantir a entrega de acordo com as necessidades, sem onerar ainda mais seu custo de frete.

Por fim, cabe destacar que é algo particular de cada empresa, a construção do relacionamento com seus clientes e parceiros, bem como a forma como gerenciam esta relação e seus negócios. Existem aquelas que consideram apenas as receitas geradas com a venda, esquecendo-se das despesas envolvidas; e outras que esgotam todas as possibilidades de redução de custos, sem causar efeito negativo ao atendimento (venda “saudável”). Para este último grupo, a conta frete é uma área importante para análise e gestão. Questões como a TDE, por exemplo, podem representar uma economia significativa quando se atua com efetividade e proatividade.

Se quiser conhecer outros artigos, oportunidades e soluções aplicadas a gestão de transporte do embarcador acesse: www.logisticanapratica.com.br

Um abraço!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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