Tabelas de Frete: Os Riscos para o Embarcador que não Calcula (corretamente) seus Custos de Transporte

Na Logística de Transporte, há casos onde a composição do valor do frete deixa os gestores com muitas dúvidas. Não é por menos, basta observar a quantidade e variedade de taxas, as inúmeras variáveis de cálculo e a complexidade da precificação em si.

No entanto, tomar decisões sem interpretar e calcular corretamente as tabelas de frete podem levar o embarcador a situações críticas, afinal, esta é uma conta que reflete diretamente sobre o resultado financeiro da empresa.

Os desafios diante da complexidade das Tabelas de Frete

Um problema comum entre muitas empresas embarcadoras é a dificuldade que os gestores têm em interpretar e calcular corretamente as tarifas de frete aplicadas no transporte de cargas.

A complexidade na composição dos valores de frete deixa os embarcadores com muitas dúvidas, e em determinadas ocasiões, a situação chega ao extremo.

Os três casos a seguir são reais e aconteceram recentemente em empresas diferentes:

1.O Coordenador de Logística simplesmente NÃO SABIA calcular um componente básico de uma de suas tabelas de frete (tabela esta que havia sido “negociada” e assinada por ele mesmo, há quase um ano);

2. O Gestor da área solicitou à transportadora um modelo de precificação MAIS FÁCIL de ser calculado. O transportador, atendendo prontamente sua solicitação, elaborou uma proposta mais simples (por coincidência, o novo formato não era aderente ao perfil de carga do embarcador e, consequentemente, se tornou muito mais caro);

3. Por desconhecer completamente o setor, o responsável pela contratação de serviços de transporte simplesmente JOGAVA NO LIXO todas as tabelas de frete (ou seja, a única conta que fechava na logística da empresa era: registro zero + controle zero = prejuízo).

Esses exemplos revelam a ausência do mínimo conhecimento para atuar na Gestão de Fretes, esta que é uma atividade vital para a empresa, já que impacta diretamente sobre seus resultados financeiros.

Se fôssemos procurar culpados, as justificativas que levam os embarcadores a cenários como esses seriam as mais variadas:

Por parte dos colaboradores:

– “Tenho mil coisas para fazer e não tenho tempo de controlar isso”;

– “Não é minha atribuição… Faço para ajudar a empresa”; (imagina se fosse para prejudicar)

– “As tabelas são muito complicadas… É mais rápido ligar para a transportadora e fazer uma cotação”;

– “Não temos ferramentas nem equipe necessárias para trabalhar”; etc. etc. etc.

Do lado das empresas:

– “Nosso negócio é vender”;

– “Sempre funcionou assim”;

– “Quem está no processo tem que se virar”;

– “Não há necessidade de ter uma pessoa só para cuidar dos fretes”; (como se fosse “só” isso) e por aí vai…

O fato é que não há culpado ou inocente. A falta de gestão em uma conta que pode ultrapassar dois terços dos custos logísticos totais de uma companhia, deixa claro que ainda temos muito a evoluir.

Os Riscos para o Embarcador que não calcula seus Custos com Transporte

O embarcador que não exerce pleno domínio sobre os cálculos e tabelas de frete fica vulnerável, tendo em vista que a empresa:

  1. Não tem previsibilidade dos custos;
  2. Está amplamente exposta a pagamentos indevidos;
  3. Perde o controle financeiro da operação;
  4. Amarga custos mais altos com transporte;
  5. Não gerencia os resultados da área;
  6. Tem baixo (ou nenhum) poder de negociação;
  7. Não desenvolve novos parceiros (viáveis) de negócio;
  8. Perde competitividade no mercado.

A necessidade de estruturar o setor, investir em tecnologia e buscar a constante capacitação dos profissionais é mais do que evidente.

Mas, olhando para o copo meio cheio, a Logística de Transporte é uma área extremamente estratégica, dinâmica, com infinitas possibilidades e oportunidades de melhoria, a começar pelo básico.

Vamos em frente!

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Um abraço!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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