#NaLata01 – Qual o número ideal de transportadoras?

No final de 2019, conheci dois grandes embarcadores que decidiram implantar software TMS (Sistema de Gestão de Transporte) com um objetivo muito claro: otimizar a gestão logística com a redução significativa do número de transportadoras em suas operações.

Mas esta é uma dúvida comum entre as empresas embarcadoras: com quantas transportadoras devo trabalhar?

O fato é que não há uma resposta certa ou errada. Enquanto uma empresa gerencia muito bem sua operação logística com 40 transportadoras, outra passa por apuros para fazer a gestão de 10 fornecedores de serviços de transporte.

A quantidade de transportadoras contratadas pode variar de empresa para empresa e de acordo com inúmeros fatores. Inclusive, mesmo o embarcador que já tenha uma ideia preestabelecida neste sentido, em determinado momento poderá mudar sua estratégia motivada pela dinâmica do mercado ou por um (re)posicionamento da companhia.

Há embarcadores que preferem operar com poucos parceiros para aprimorar o controle. Outros, acreditam que com um número maior terão condições de proporcionar um atendimento mais rápido e eficaz.

Um caminho que pode auxiliar o gestor a definir o formato mais aderente é analisar os pontos positivos e negativos de transportar regularmente com 10 ou 40 transportadoras – considerando as características e necessidades de cada cenário – de acordo com o momento atual da empresa e seu planejamento de transporte.

Acompanhe a seguir algumas vantagens e desvantagens de cada modelo:

Operação com número elevado de transportadoras

Prós:

  • Amplia a oferta e disponibilidade de serviços;
  • Permite maior flexibilidade na escolha entre preço de frete e prazo de entrega;
  • Possibilita diversificação e capilaridade no transporte de cargas.

Contras:

  • Exige mais esforço e recursos internos para controle e gestão;
  • Diminui o poder de barganha em função da divisão do volume entre vários transportadores;
  • Resulta em baixo grau de interação e pouca representatividade.

Operação com número reduzido de transportadoras

Prós:

  • Em geral, proporciona melhores condições de negociação devido à concentração do volume transportado;
  • Normalmente, há um maior nível de relacionamento (construção de parceria);
  • Atendimento personalizado (respostas ágeis e adaptabilidade às necessidades da empresa).

Contras:

  • Restringe as opções imediatas de transporte em situações de emergência/atípicas;
  • Em casos de aumento no volume a ser transportado, pode haver gargalo e/ou atraso devido a centralização da carga em poucos parceiros;
  • Exige constante planejamento e pesquisa de mercado em eventual necessidade de substituir o transportador.

Ao encontro do exemplo citado no início, na prática, o que se percebe é uma tendência entre os embarcadores em reduzirem sua lista de transportadoras homologadas.

Em geral, as empresas buscam uma operação de transporte cada vez mais “enxuta” – onde a logística interna atua com foco em processos que agregam valor ao negócio – e gerenciar processos, documentos e informações de muitos parceiros, além de onerar a equipe, pode tornar mais complexo atingir o desempenho desejado.

O número de transportadoras mais adequado é encontrado à medida em que se tem clareza da real necessidade a ser atendida em dois importantes pilares: custos logísticos e qualidade do serviço.

Por um lado, o mercado oferece inúmeras oportunidades de negócio e a oferta no transporte de cargas é grande em quase todo país. Em contrapartida, quando surge uma nova demanda, muitas vezes o embarcador pode encontrar a solução “dentro de casa”, em sua base de fornecedores.

Vale lembrar que restringir a quantidade de transportadoras não significa ficar “refém” de meia dúzia delas. Quando se trabalha com um limite de transportadores muito próximo do mínimo é fundamental que o embarcador pense em alternativas que mantenham sua operação rodando.

Há alguns anos, atuei em uma indústria cujo o número de transportadoras ativas girava em torno 15 empresas. Um belo dia, determinado transportador simplesmente não apareceu para coletar. Como ele já dava sinais de que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde, mantive uma negociação previamente alinhada com outro parceiro, por segurança. Naquele dia, às 18:00hs, precisei acionar minha “segunda opção”, que prontamente atendeu e assumiu os serviços desde então.

Neste caso, não foi necessário incorporar uma nova transportadora, pois a empresa substituta já transportava para outras rotas. O fato é que, independentemente do total de transportadores à disposição, o gestor precisa garantir que a função da logística seja cumprida integralmente e com eficiência, afinal, quantidade não representa qualidade.

Um abraço!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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