#NaLata02 – Qual o momento certo para trocar de transportadora (e como fazer)?

Por mais simples que possa parecer, mudar de fornecedor de transporte não é uma tarefa fácil para o gestor. Isso porque o que está em jogo não é apenas o processo de substituição em si – que envolve: pesquisa, negociação, atendimento, período de adaptação… – mas também uma série de análises, principalmente, antes da decisão de trocá-lo.

Eu já precisei substituir transportadoras e se existe algo que eu possa recomendar é: nunca entre na “pressão psicológica” exercida interna ou externamente quando seu parceiro atrasar uma entrega entre outras cem executadas dentro do prazo.

É óbvio que os efeitos de uma entrega atrasada podem afetar negativamente a empresa. Porém, é preciso avaliar se isso é algo recorrente, se há motivos que justifiquem, quais ações corretivas serão tomadas, de que forma o transportador irá se precaver para evitar que volte a acontecer, entre outras medidas com base em um entendimento claro sobre o problema – e não sobre a reputação do transportador.

Com este exemplo corriqueiro, quero dizer que a substituição de uma transportadora deve estar embasada em argumentos que realmente evidenciem esta necessidade. Trocar simplesmente em decorrência de um fato isolado, para atender uma indicação do gerente X, por preferência do cliente Y ou algo do gênero, certamente não será positivo para a empresa embarcadora.

Na prática, antes de qualquer movimento de mudança, é preciso compreender sua verdadeira razão, que pode ser:

  • Não cumprimento do previsto em contrato;
  • Ausência de suporte/mal atendimento;
  • Falhas operacionais frequentes;
  • Desacordos comerciais; etc.

Naturalmente, as causas que levam a substituir um transportador são muito específicas e podem variar de acordo com a operação. No entanto, em geral, estão diretamente ligadas às variáveis de custos e nível de serviço. Quando algum desses fatores não é atendido plenamente, gera-se desgaste entre embarcador e transportador, resultando na descontinuidade dos negócios.

No momento em que, de fato, uma transição se mostrar necessária, recomendo considerar os pontos a seguir:

  • Tenha clareza quanto aos objetivos a serem alcançados: seja por questões comerciais, operacionais ou financeiras, é fundamental compreender a finalidade da substituição para poder estabelecer os critérios da nova contratação;
  • Mapeie todas as operações que poderão ser afetadas: levante possíveis impactos em clientes, fornecedores, áreas internas… e considere isso no seu planejamento;
  • Avalie se a solução não está “dentro de casa”: muitas vezes, um transportador da base é capaz de atender a demanda sem precisar recorrer ao mercado, ampliando a parceria;
  • Faça uma pesquisa direcionada: com o propósito da substituição definido, busque uma transportadora qualificada – da base de fornecedores ou no mercado – para a resolução do problema, não abrindo mão de todos os demais fatores igualmente importantes na prestação do serviço.

Com relação aos tópicos indispensáveis para contratação ou alteração de transportadoras, você pode baixar o guia completo no blog www.logisticanapratica.com.br. De antemão, relaciono os principais de forma resumida:

  1. Conheça muito bem a sua carga;
  2. Faça as contas;
  3. Analise as condições apresentadas;
  4. Busque referências;
  5. Avalie o seguro de carga;
  6. Fique atento às questões fiscais/tributárias;
  7. Consulte o histórico financeiro;
  8. Faça um período de teste;
  9. Valide a contratação;
  10. Gerencie os resultados.

Cabe lembrar que toda decisão deve ser tomada com base em informações consistentes e que, antes de romper uma parceria, vale apostar no caminho mais indicado para esclarecer pontos de divergência: diálogo. Traçar um plano de ação e realinhar processos pode resolver a questão.

Mas quando há esforço em apenas uma das partes, realmente é o momento de encerrar o ciclo e iniciar uma nova etapa.

Esgotadas as possibilidades de continuidade, é justo que a empresa busque novos fornecedores de transporte, desde que o faça de modo planejado, considerando toda a cadeia logística.

A entrada de um transportador qualificado é benéfica não somente para atender ao objetivo específico, mas reflete positivamente em toda a operação.

Para saber mais sobre Gestão de Transporte na perspectiva do embarcador, cadastre-se em nossa Newsletter e receba notificações sobre novas publicações.

Um abraço!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *