Menos Custo e Mais Eficiência: como resolver essa equação no Transporte de Cargas

Quando o assunto é desempenho no transporte de cargas, principalmente no modal rodoviário, a tendência é de relacionarmos a alta performance com grandes investimentos em estrutura interna (frota própria), ou a patamares elevados de conta frete quando o serviço é terceirizado.

O contrário também é verdadeiro. Operações de transporte orientadas pela cultura do “menor preço possível” são atreladas a baixo nível de qualidade e eficiência.

De fato, esta última tem suas implicações na prática. Particularmente, conheci empresas onde o principal objetivo dos gestores da área era diminuir, mês a mês, os indicadores de custos de frete. Como consequência, lidavam com altos índices de avarias, extravios, atrasos na entrega e outros problemas oriundos de transportadoras que tinham acabado de ser contratadas, já que a rotatividade de fornecedores nestas condições é (extremamente) elevada.

Mas como encontrar o equilíbrio entre a busca pela redução de custos em transporte e a necessidade de manter/ampliar o nível de serviço logístico?

Entendo que existem dois pontos que interferem nesta decisão. O primeiro está relacionado à forma como a empresa administra as demandas de CLIENTES ligadas ao transporte. O segundo diz respeito ao que o embarcador entende como prioridade no processo de contratação de seus TRANSPORTADORES.

 

CLIENTES

Existem diferentes perfis de clientes e cada um possui suas características. Ao identificar àqueles que impactam em aumento nos custos logísticos – demandam entregas personalizadas e exigem alto nível de performance, por exemplo – a empresa terá condições de elaborar estratégias que permitam viabilizar o atendimento, mantendo os custos proporcionais à qualidade do serviço.

Outra questão a ser avaliada é de que forma a relação entre o cliente e a empresa influencia na sua gestão com as transportadoras, isto é, as exigências apresentadas pelos clientes não podem ser repassadas ao transportador como se fosse uma transferência de responsabilidade.

Em ambos os casos, é imprescindível a interface entre a Logística e a área Comercial, visando alinhar eventuais custos adicionais e as novas condições de atendimento junto ao cliente.

“Não existe entrega grátis!”

O fato é que para conseguir atender determinadas particularidades no processo de transporte, os custos são aplicados na mesma proporção. Sendo assim, para encontrar o ponto de equilíbrio entre Custos de Distribuição X Nível de Serviço (e obter uma “venda saudável”) é necessário que a margem acompanhe essa variação e também seja compatível.

 

TRANSPORTADORES

Ao optar por terceirizar o processo de transporte/entrega de seus produtos, um dos principais cuidados que o embarcador deve ter está relacionado a atender: (1) com qualidade e (2) a preço justo as necessidades dos clientes.

O problema é quando a ordem se inverte, ou seja, quando a empresa decide olhar primeiro para o preço, para depois buscar a qualidade.

A qualidade tem seu preço, mas o (menor) preço dificilmente terá qualidade.

Como sugestão:

1. Não gaste energia brigando por preço. Defina o nível de serviço mais adequado e desenvolva parceiros logísticos qualificados, com foco em agregar valor ao serviço.

Preocupe-se com em obter melhores condições em outros fatores que não apenas no preço do frete – suporte e atendimento direcionado, coletas e entregas mais ágeis, garantia no transporte e segurança da carga, prazos e formas de pagamento mais atrativos (por quê não?)  entre outros aspectos.

2. Estabeleça parcerias: em uma mesa redonda não existem lados: embarcador e transportador precisam encontrar meios de estabelecer uma relação ganha-ganha, tendo como perspectiva o crescimento sustentável, de forma conjunta.

No transporte de cargas, qualquer parceria só é boa quando é boa para as duas empresas. Buscar exclusivamente a redução de custos – a qualquer custo e a todo custo – pode significar o início de (grandes) problemas para o embarcador.

Um abraço!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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