Indicadores de Desempenho Logístico: 8 KPIs na Gestão de Transporte

Em toda atividade e segmento de mercado, medir o desempenho é fundamental para identificar potenciais desvios e atuar na correção em prol dos objetivos.

Na Logística de Transporte, os elevados custos envolvidos – somado ao fato de que o processo de distribuição tem participação direta no atendimento ao cliente –, faz com que os resultados tenham que ser constantemente medidos e gerenciados.

Acompanhe a seguir, alguns dos principais KPIs utilizados na gestão de transporte de cargas:

1.CUSTO DE TRANSPORTE COMO UM % DAS VENDAS

Mostra a participação dos custos de Transporte nas vendas totais da empresa.

O cálculo é realizado da seguinte forma: Custo Total de Transporte (R$) / Vendas Totais (R$).

A referência de mercado varia conforme o tipo de negócio, e é fundamental que o Indicador de Transporte como um % das Vendas seja constantemente monitorado, já que evidencia o resultado financeiro da área.

Com base neste KPI, o embarcador pode analisar e tomar decisões estratégicas visando otimizar seus custos de frete.

2. NÃO CONFORMIDADE EM TRANSPORTE

O conceito de não conformidade se refere a qualquer evento que aconteça fora do planejado. São produtos que não atendem minimamente suas características, ou processos que geraram resultado insatisfatório, impactando na qualidade e satisfação do cliente.

Quando ocorre uma não conformidade no transporte de cargas, além de inúmeros transtornos, uma série de custos extras são gerados para a empresa.

E para medir e atuar sobre esses números, os embarcadores podem fazer uso do Indicador de Não Conformidades em Transporte.

Na prática, este KPI mede a participação do custo extra decorrente de reentregas, devoluções e outros eventos no custo total do transporte.

Para obter o resultado, divide-se o custo adicional de frete com não conformidades pelo custo total de transporte.

Além de monitorar periodicamente este indicador, é importante trabalhar em conjunto com os parceiros logísticos e demais áreas da empresa visando implementar ações que colaborem para a redução dos índices de não conformidades.

3. COLETAS NO PRAZO

Com a necessidade cada vez maior de se reduzir o tempo dos ciclos logísticos, o processo de coleta da mercadoria, importante etapa da cadeia logística, precisa ser acompanhado de perto pelo responsável da carga no sentido de evitar qualquer imprevisto.

Isso porque o atraso na coleta pode representar sérios transtornos e prejuízos financeiros se considerarmos a possibilidade de ruptura no abastecimento da linha produtiva e/ou na entrega do produto ao cliente final.

Logo, ficam evidentes uma série de impactos negativos não somente na operação logística, mas refletidos nos resultados do negócio como um todo.

Para auxiliar a empresa nesse controle, é possível medir e acompanhar o desempenho de seus transportadores por meio do Indicador de Coletas no Prazo (ou On Time Pickups).

Basicamente, este KPI calcula o % de coletas realizadas dentro do prazo acordado. O resultado é obtido ao dividir a quantidade de coletas no prazo pelo total de coletas x 100.

Melhores práticas de mercado indicam que os índices mínimos devem variar entre 95% a 98%, destacando este indicador como referência para atingir a qualidade e a eficiência no transporte de cargas.

4. ACURACIDADE NO CONHECIMENTO DE FRETE

Além de causar uma série de transtornos e retrabalhos, as inconsistências nos conhecimentos de frete podem gerar um (grande) prejuízo financeiro para as empresas embarcadoras.

A auditoria de fretes é um processo que visa identificar inconsistências e evitar o pagamento de cobranças indevidas no serviço de transporte de cargas.

Para auxiliar o embarcador neste controle, é possível medir e atuar sobre as falhas nas emissões de frete através do Indicador de Acuracidade no Conhecimento de Frete.

Este KPI mede a participação dos erros verificados nos conhecimentos de frete em relação aos custos totais de transporte.

O resultado é obtido dividindo o valor (R$) proveniente de erros nas cobranças pelo custo total de transporte (R$) x 100.

O índice de referência para este indicador é de, no mínimo, 98,5%, evidenciando a importância de se manter uma gestão apurada da conta frete da empresa.

5. CUSTO DO FRETE POR UNIDADE EXPEDIDA

Em operações onde os itens seguem o mesmo padrão (toneladas, quilos ou litros, por exemplo) é possível adotar o Indicador de Custo do Frete por Unidade Expedida, podendo também ser especificado de acordo com o modal de transporte utilizado.

O resultado é obtido ao dividir o custo total de transporte (R$) pelo total de unidades expedidas em determinado período.

Os parâmetros de mercado deste KPI variam conforme o tipo de negócio, por isso, é importante que a empresa conheça seu índice de referência para que possa, constantemente, medir e atuar em casos de desvio.

6. ENTREGAS NO PRAZO

Um dos grandes desafios no atendimento dos pedidos refere-se ao cumprimento dos prazos de entrega negociados com os clientes.

Nesse sentido, para auxiliar no acompanhamento da performance das entregas, utiliza-se o indicador de desempenho que mede o percentual de entregas realizadas no prazo acordado com o cliente.

Este KPI é um desmembramento da OTIF (On Time in Full), chamado Entregas no Prazo ou On Time Delivery.

Para obter o resultado, basta dividir a quantidade de entregas efetuadas no prazo pelo total de entregas realizadas x 100.

O índice de referência para este indicador varia de 95% a 98% (podendo ser maior, a depender do grau de exigência), o que reflete a importância do seu constante monitoramento.

7. AVARIAS NO TRANSPORTE

No modal rodoviário, as avarias são registradas com maior frequência no transporte fracionado de cargas, tendo em vista a necessidade frequente de movimentação entre veículos e terminais.

Avaria é um problema sério e seu controle jamais pode ser negligenciado. Para auxiliar gestores e empresas nesse sentido, este indicador mede a participação das avarias em transporte sobre o total transportado.

O resultado é obtido ao dividir as avarias no transporte (R$) pelo total expedido (R$).

Considerando os impactos negativos que as avarias podem causar para a operação logística – e refletidos no negócio como um todo – é essencial que a empresa atue constantemente sobre este KPI visando manter seu índice igual a zero (ou o mais próximo disso).

8. TEMPO MÉDIO DE PERMANÊNCIA DO VEÍCULO DE TRANSPORTE

Usado para avaliar a produtividade nas operações logísticas, este indicador mede o período do veículo em doca, tempos de manobra, trânsito interno, autorização de Portaria, vistorias, entre outros.

O resultado é encontrado ao subtrair a hora de saída do veículo pela hora de entrada na Portaria.

O índice de referência deste indicador varia de acordo com os procedimentos de cada empresa, sendo um importante instrumento para identificar potenciais gargalos existentes nos processos internos e melhorar a eficiência do setor.

Vale notar que estes são apenas alguns exemplos de métricas que os embarcadores podem fazer uso na área de Transporte, identificando aqueles que estão mais alinhados ao perfil e estratégia do negócio.

Como vimos, implementar indicadores na Gestão de Transporte representa um caminho seguro na busca dos objetivos planejados. Na prática, é a forma mais eficaz de gerenciar a performance operacional e o resultado financeiro da operação.

E você, quais indicadores utiliza na sua gestão? Deixe seu comentário.

Um forte abraço e continue nos acompanhando!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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