Gestão de Fretes: 5 Tipos de Análise de Resultados

O Transporte é uma área com alto potencial de oportunidades em uma empresa embarcadora.

E quando falamos em dois fatores que são determinantes para o sucesso de qualquer negócio – otimização de custos e aumento da qualidade no atendimento ao cliente – vimos que a Logística de Transporte tem papel decisivo para o alcance desses objetivos.

No entanto, infelizmente, ainda são poucas as organizações que enxergam o setor de Transporte como estratégico. Para muitas companhias, apesar de representar mais de dois terços de tudo o que desembolsam com Logística, o consideram apenas como um centro de custos.

A boa notícia é que para transformar esse cenário e evidenciar a participação ativa do Transporte sobre os resultados da empresa não é preciso reinventar a roda ou fazer grandes investimentos.

Na prática, quem terceiriza o processo de distribuição/entrega e não faz Gestão de Fretes pode iniciar esse processo com uma simples planilha para controlar os gastos com as transportadoras.

O fato é que, seja através do Excel ou de um sistema TMS, tão importante quanto a quantidade de informações é a qualidade da análise, resultando em tomada de decisões mais assertivas.

5 Tipos de Análise de Resultados de Frete

Como se sabe, as operações logísticas são muito dinâmicas. Muitas vezes, a prática adotada por uma empresa não se aplica à realidade de outra, principalmente quando o assunto é transporte de cargas, onde as particularidades regionais e do próprio negócio variam constantemente.

O propósito ao compartilhar os pontos a seguir é contribuir (e gerar insights) para a identificação de oportunidades e implementação de melhorias a partir da análise dos resultados de frete.

1. Total de Frete por Transportador

Ao totalizar os fretes por transportador, o gestor mede a participação de cada parceiro na sua operação logística – seja conforme a quantidade de embarques, peso, valor ou número de itens transportados – e, dessa forma, consegue gerar subsídios para:

I. Dimensionar e/ou equalizar o volume de carga entre transportadoras que operam na mesma região;

II. Dar ênfase no processo de negociação junto àquelas que possuem maior representatividade na conta frete;

III. Identificar os parceiros responsáveis pelo maior número de entregas e definir estratégias para diminuir prazos e ampliar a qualidade do serviço.

Em geral, ações como essas quando são tomadas com base em dados simples (mas que agregam valor para o processo de análise) geram resultados (ainda) mais efetivos.

2. Total de Frete por Unidade de Negócio

Quando o total do frete é especificado por Unidade de Negócio (fábricas, CDs, filiais, lojas, etc.) é possível fazer um estudo mais direcionado, considerando fatores como: localização, distância, características regionais, perfil de carga e fluxo de transporte.

Por exemplo, conforme a localização geográfica, o valor do frete pode ser afetado por questões ligadas à difícil acesso, restrição ao trânsito, uso de dois ou mais modais, entre outros.

Portanto, para ter uma visão realista dos resultados de frete e avaliar potenciais oportunidades, as necessidades de cada planta devem ser levadas em conta, afinal, com tantas particularidades, sempre haverá espaço para implementar melhorias.

3. Total de Frete por Tipo de Operação

Consiste na apuração dos custos de transporte de acordo com as principais operações existentes na empresa. Para esta análise, a classificação pode ser feita em:

I. Logística Inbound: mensurar o total de frete relativo à entrada de insumos e matérias-primas possibilita, por exemplo, estudar medidas em conjunto com área de Compras/Suprimentos que viabilizem a otimização do frete no momento da negociação com fornecedores.

II. Logística Outbound: na operação de venda, vários aspectos podem ser analisados para tornar a conta frete menos onerosa para o embarcador, desde a revisão de contratos e tabelas de frete, até a atuação junto ao Comercial no que tange os custos adicionais vinculados ao atendimento de determinados clientes.

III. Transferência: o processo de movimentação/transporte de cargas entre unidades de negócio  deve sempre ser medido e acompanhado, já que pode representar uma parcela significativa dos custos de frete.

Com a avaliação dos resultados, e em alinhamento constante com as unidades, o gestor poderá buscar a melhor relação custo-benefício para o transporte.

Um ponto importante a ser destacado é a interface entre a Logística e os demais departamentos da empresa, evidenciando a relevância da gestão de frete para o negócio como um todo.

E para ampliar o índice de performance, metas e indicadores podem ser adotados e trabalhados de forma integrada.

4. Total de Frete por Período

Avaliar o total de frete por período possibilita ter uma visão mais abrangente sobre a evolução da conta frete, indica oscilações nos custos e viabiliza comparativos históricos.

Diferentes critérios podem ser aplicados com referência ao Total do Frete, por exemplo:

– Total do Frete por Período em valores reais (R$);

– Total do Frete por Período em resultado percentual do frete (% frete sobre vendas);

– Total do Frete por Período em quantidade de embarques (volume de fretes).

Ao realizar o comparativo entre períodos, deve-se considerar os fatores que interferem no total do frete, entre eles, o faturamento e eventuais alterações na operação da empresa (expansão, política de vendas, etc.).

5. Total de Frete por Cliente (ou Fornecedor)

A análise de frete por cliente (ou fornecedor) pode ser feita com base no método de classificação Curva ABC, cujo objetivo é identificar os recursos mais importantes ou de maior impacto.

Com isso, esforços são direcionados visando otimizar o frete daqueles clientes (ou fornecedores) com maior participação sobre o total.

Da mesma forma, o gestor poderá focar em melhorias na qualidade do atendimento em clientes que possuam um número maior de entregas.

Ou seja, qualquer oportunidade encontrada no valor do frete e/ou acréscimo do nível de serviço junto aos destinatários (ou remetentes) com maior representatividade, irá gerar um efeito mais expressivo em sua operação.

Além disso, a avaliação do total do frete por cliente de forma aprofundada permite identificar  taxas adicionais vinculadas ao CNPJ, o que colabora para ações a favor da redução dos custos de transporte e obtenção de melhores margens para a empresa.

Na prática, quanto maior for o número de critérios utilizados na análise de resultados, maiores serão as chances de sucesso na sua gestão de fretes.

E aí, pronto pra começar?

Um forte abraço e continue nos acompanhando!

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade

Claudionei de Andrade - Instrutor na LNP Cursos Gerenciais. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Gestão Estratégica Empresarial e especialista (MBA) em Logística e Distribuição. Possui experiência profissional na área logística de transportes, armazenagem e gestão de frota.

Website: http://www.logisticanapratica.com.br

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